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sexta-feira, 13 de novembro de 2015

PM que entregou filho à prisão diz: ‘Não entreguei. Estou tentando resgatar’



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O policial militar que levou à polícia o filho de 17 anos que estava com um carro e três celulares roubados em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, disse nesta quinta-feira (12) que espera que o adolescente consiga entender sua atitude. Para o pai, essa era a melhor saída para educar do menor. Ele agora espera que o juiz o deixe voltar para casa.


“Eu sei quem tem pais aí que, de repente, estão me julgando porque eu entreguei o meu próprio filho. Mas eu não entreguei. Eu estou tentando resgatar. Entregar é eu simplesmente saber que ele está envolvido, ficar chorando dentro de casa, mas não tomar nenhuma atitude. Não vai adiantar. Eu não vou abandoná-lo, como eu não abandonei. Eu espero que ele tenha visto que tem pessoas que se importam com ele, independente dele estar certo ou errado”, disse o PM.


O sargento disse que sempre deixou claro para seus filhos que jamais aceitaria qualquer tipo de comportamento ilícito da parte deles e não seria pelo falo de ser  um policial militar o pai deles que ele iria compactuar com esse tipo de comportamento. No caso do filho de 17 anos, não pensou duas vezes.


“É triste saber que ele está desvirtuando tudo o que eu ensinei. Ele é o meu filho mais novo, eu trabalho na área de segurança, e ele e os meus outros filhos cresceram ouvindo de mim que eu jamais iria compactuar ou aceitar que filho meu viesse a se envolver com qualquer tipo de coisa ilícita e que, no conhecimento dos fatos, eu mesmo conduziria à delegacia, e foi o que eu fiz”, completou o sargento.


Briga há 1 mês


O menor estava morando com o pai desde que ele se separou da mãe, há 11 anos, mas, há cerca de um mês, segundo o pai, o rapaz teria ido morar com a mãe após uma briga entre os dois.


“Nós tivemos uma discussão há 30 dias na qual ele me desobedeceu. Ele tinha pego um veículo meu e bateu. Eu disse que não ia bater nele, mas disse que ele iria simplesmente da casa para o colégio e do colégio para casa. Ele aceitou, mas eu tinha dito que, se por ventura ele não quisesse seguir o que eu estava falando, ele poderia pegar as coisas dele e ir embora. Aí teve um dia que ele me desobedeceu, eu falei com ele, ele pegou as coisas e foi para a casa da mãe. Eu liguei para a mãe dele pedindo para não aceitar ele porque ele teria que pedir desculpas e voltar, só que ela aceitou que ele ficasse. Ela veio me ligando ao longo desses 30 dias, falando que ele não estava respeitando ela, estava passando noites fora de casa, chegava em casa  de manhã”, disse o pai.


Pai desconfiou de furto em casa
De acordo com o PM, a mãe mora em uma área de risco no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, e por isso ele teria preferido cuidar do jovem depois da separação. O pai também afirmou que, assim que o filho saiu para ir para a casa da ex-mulher, ele deu falta de alguns pertences.


“Quando ele saiu da minha casa, ele levou alguns pertences meus. Eu liguei para ele e ele falou que não tinha sido ele. Só que, ontem, a mãe dele desconfiou e me ligou dizendo que tinha localizado os objetos enterrados no quintal da casa dela. Eu fui até lá, peguei os objetos, falei com ele e voltei às minhas atividades normais. Duas horas depois, ela me ligou dizendo que achou a chave de um carro e que ela foi até o portão, apertou a lanterna do veículo que simplesmente foi acionada. Eu pedi para ela me passar a placa e eu vi que o carro era roubado. E eu já tinha falado para ela ‘eu vou aí e vou prender ele'”, explicou o PM.
A partir da decisão do juiz da Vara da Infância e da Juventude, o menor poderá ser devolvido aos pais ou ser encaminhado para um abrigo. Seja qual for a decisão judicial, o PM afirma que não irá mudar seu comportamento ou modo de educar o filho.
“Eu espero que o juiz relaxe a medida socioeducativa, espero voltar com ele pra casa e que ele tenha os ensinamentos de que o crime não compensa. A vida de ninguém é fácil. Tudo o que a gente consegue é através de trabalho. É isso aí é o que eu sempre tentei mostrar para todos os meus filhos, que nada é de graça. O que vem de graça, tem as suas consequências e, uma delas, que, para mim, saiu branda. Para ele foi a prisão. 

A minha vida eu vou tentar seguir de uma maneira normal, não vou mudar meus hábitos, até porque na minha casa ele não vai para a rua, as pessoas com quem ele se envolve, eu conheço. Eu suspeitava que ele poderia estar fazendo algo de errado, mas, para mim, era só dentro de casa. Não passou pela minha cabeça que ele poderia estar envolvido com roubos a pedestres”, lamentou o pai.

Jovem disse ter sido influenciado
Ainda segundo o sargento, o menor disse que foi influenciado por colegas enquanto frequentava uma lan house.

“Ele me disse na delegacia que se deixou influenciar muito fácil pelas más companhias. Foi o tempo que ele ficou fora de casa, começou a ir em lan house, a lan house lá tinham adolescentes com envolvimento com crimes, furto de veículos, roubo, e ele disse que foi chamado, mas não tinha coragem de ir. Eu perguntei quem eram esses amigos e ele disse que não sabia, que só conhecia de apelido e nem sabia onde moravam”, disse o pai.




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