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terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Teste do zika vírus custa R$ 3,2 mil no Recife



Exame é feito apenas em um laboratório particular do estado, a um custo alto. Amostras específicas são enviadas pelo estado a Belém do Pará


O exame que pode identificar o zika vírus, relacionado à epidemia de microcefalia, só é realizado em um laboratório particular em Pernambuco a um custo de R$ 3.199,98. O teste, que só é eficaz se feito preferencialmente nos cinco primeiros dias de sintomas, não é coberto por planos de saúde. Testagem semelhante não é feita na rede pública de saúde. Amostras específicas, quando há suspeita de relação com microcefalia, são enviadas pelo estado ao Instituto Evandro Chagas, em Belém, no Pará, mas não há como a mulher fazer o exame por conta própria pelo Sistema Único de Saúde (SUS). 


Como os sinais de zika, dengue e chikungunya são semelhantes, o teste é a única maneira de esclarecer qual virose o paciente contraiu. Especialistas alertam que grávidas devem procurar atendimento médico ao perceberem os primeiros indícios. O Ministério da Saúde deve divulgar esta semana o protocolo de atendimento para zika.


Para identificar o vírus após o período sintomático, seria necessário um exame de detecção de anticorpos, que ainda não existe para o zika, mas que já está sendo desenvolvido por diversos laboratórios públicos no país e deverá estar disponível nas próximas semanas.


O exame que constata a presença de zika no período de sintomas é o RNA PCR. Ele identifica, pelo sequenciamento genético do vírus a presença do agente no organismo. “Depois dos primeiros dias de infecção, quando o organismo produz anticorpos, eles grudam no vírus e não se consegue mais encontrar o material genético. Isso é variável. Nem todos os organismos reagem ao vírus no mesmo tempo. Ele começa a passar para outras regiões e não se consegue detectar no sangue”, explica o patologista Hélio Magarinos Torres Filho, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica no Rio de Janeiro.


O especialista diz que, em alguns casos, o material genético do vírus pode ser encontrado até o décimo dia, mas alerta que, se o resultado der negativo nesse período, não há garantia de que a pessoa não tenha sido infectada antes. A recomendação de fazer o exame até o quinto dia é defendida pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos.


O teste detecta a presença do ácido ribonucleico (RNA), responsável pela síntese de proteínas da célula. É feito em duas etapas: na primeira, identifica a presença de um vírus; na segunda, faz o sequenciamento genético para identificar qual dos agentes infectou o organismo. Em laboratórios particulares do Rio de Janeiro e São Paulo, o teste custa de R$ 1.198 a R$ 2.160.

 
Pré-natal


“Se as pacientes com sintomas de zika estiverem no primeiro trimestre de gestação, o ideal é que façam o teste para afastar a hipótese de outras doenças, até mesmo para fazer pré-natal pormenorizado, caso seja zika. É o período em que há risco maior de acontecer má-formação”, afirma a infectologista Bianca Grassi de Miranda, do Hospital Samaritano, de São Paulo. O teste específico para zika deve ser feito depois dos exames de dengue e chikungunya, doenças mais comuns.
A advogada Renata Vilhena, especialista em saúde, diz que os planos devem pagar pelo exame de zika, em caso de recomendação médica. “A operadora está recebendo para prestar serviço no lugar do estado. Havendo pedido, o plano é obrigado a cobrir”, ressalta. A Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), que representa planos de saúde, informou que os procedimentos cobertos pelas operadoras são determinados pela Agência Nacional de Saúde (ANS) e definidos em contrato.





Diario de Pernambuco





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