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quinta-feira, 11 de agosto de 2016

'Bancos precisam investir mais em segurança em PE', afirma secretário



Para secretário, diante da crise, é necessário dividir a responsabilidade. 
Alessandro Carvalho diz que é preciso agir em parceria e com inteligência.


A onda recente de crimes contra agências bancárias no interior de Pernambuco deixou um rastro de intranquilidade. Para os moradores dos 22 municípios que foram alvo das quadrilhas este ano, a serenidade deu lugar ao medo de novas investidas. Diante dessa crise, o secretário de Defesa Social, Alessando Carvalho, tem uma receita: é preciso dividir a responsabilidade com os envolvidos no assunto. Para ele, os bancos também devem investir em novos equipamentos e em segurança para inibir a ação de bandidos.
O secretário acredita que as instituições financeiras deveriam reforçar as estratégias de prevenção. Carvalho cita, como exemplo, sistemas capazes de incinerar as cédulas em caso de danos ao cofre e aos terminais de autoatendimento.
Também ressalta que existe uma máquina de fumaça que dificulta a entrada de assaltantes em agências depois de arrombamento das portas e quando são atingidos os sensores de segurança. "É uma fumaça tão densa que ninguém consegue ficar no banco", observa.
Alessandro ressalta que essa possibilidade de aumento de investimentos em segurança física é remota. Para ele, os bancos estão mais preocupados com a segurança virtual, ambiente da maioria das transações bancárias da atualidade.
"Eles informam ter investido bilhões de dólares, nos últimos anos, em segurança. Mas isso em sistemas de criptografia e de bloqueio de bandidos que atuam nos computadores. Os bancos fazem uma conta de quanto perdem com esses assaltos e quanto deveriam investir em segurança física e terminam evitando esses custos", observou. O secretário acrescenta que as normas que regem o sistema de segurança bancária são antigas. "A lei é de 1983", lembra.
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Banco do Brasil de Bom Jardim foi alvo de explosão (Foto: Lúcio Mauro Cabral/ WhatsApp)Banco do Brasil de Bom Jardim foi alvo de explosão (Foto: Lúcio Mauro Cabral/WhatsApp)
Em Pernambuco, houve uma tentativa de aperfeiçoar oa vigilância nas instituições financeiras, em 2015. Uma norma foi criada para permitir o acesso do poder público às imagens de circuito de câmeras de vigilância da rede bancária e das casas lotéricas. Isso ocorreria em caso de invasão das agências.
A Secretaria de Defesa Social (SDS) poderia acionar um dispositivo e passaria a ter dados em tempo real, no intervalo entre o registro e afinalização da ocorrência. No entanto, a Lei 15.687/15 deixou de ser aplicada por força de uma liminar da Justiça, que deu ganho da causa a entidades representativas dos bancos.
Parceria
Carvalho também ressaltou a necessidade de aprofundar ainda mais as parcerias com as polícias Federal e de outros estados. Lembrou que uma força-tarefa já está atuando com êxito em Pernambuco.
Nos últimos dias, três quadrilhas foram presas. Uma delas, por exemplo, acabou detida na noite de terça-feira (9), em Bom Jardim, no Agreste, quando se preparava para explodir caixas eletrônicos de um banco em Surubim, na mesma região.
O titular da SDS afirma que pelo menos três quadrilhas estão atuando em Pernambuco. Alguns casos aconteceram perto de Alagoas. A onda mais grave de crimes, no entanto, ocorreu nas cidades que têm limite com a Paraíba. Entre os dias 5 de julho e 5 de agosto, foram oito ocorrências na mesma região.  "Estamos investindo no trabalho de inteligências, que é fundamental em operações como essas", declarou.
Explicações

Diante da crise dos assaltos e explosões, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informou que as instituições têm cooperado com a polícia e Justiça. Também disse que houve investimentos na contratação de vigilantes e na compra de materiais de segurança.
Outro recurso citado pela federação é a diminuição da quantidade de cédulas e moedas nas agências. Por isso, os bancos têm incentivado o uso da tecnologia, de aplicfativos e da internet para a realização de transações, pagamentos e transferências.
Levantamento feito com 17 instituições financeiras, entre elas os principais bancos de varejo do País, mostra que, em 2015, foram registrados 393 assaltos e tentativas de assaltos no Brasil. Esse número indica estabilidade em relação a 2014, quando foram registrados 385 ocorrências (+2%). É bem inferior ao registrado em 2000, quando houve 1.903 assaltos e tentativas de assaltos.
Banco do Brasil que foi alvo de explosão de cofre em Machados, no Agreste (Foto: Reprodução de WhatsApp)Banco do Brasil que foi alvo de explosão de cofre em Machados, no Agreste (Foto: Reprodução/TV Globo)
Histórico

O último grande ataque 
aconteceu no dia 5 de agosto, no município de Machados, no Agreste. Durante cerca de 20 minutos dentro do banco, os assaltantes deixaram de lado os caixas eletrônicos, alvos mais comuns, e explodiram o cofre da agência, levando todo o dinheiro. Depois da ação, os homens ainda efetuaram disparos e jogaram grampos nas ruas próximas para tentar impedir a perseguição policial.
Além desse, outros municípios pernambucanos foram vítimas de ataques recentes. João Alfredo, Feira Nova, Macaparana, Buenos Aires, Orobó, Passira, Cumaru, Bom Jardim e Lagoa do Carro também tiveram casos semelhantes de assaltos. Algumas das agências estão em reforma, mas outras sequer apresentam previsão para normalizar os atendimentos.
Drama

Para quem vive nessas cidades, a saída é sair do município para procurar terminais bancários disponíveis. “A gente tem que ir para as cidades vizinhas para fazer saques, ou procurar as lojas que aceitam débito automático”, reclama a dona de casa Maria de Fátima Barbosa.
Em todos os casos, a ação dos assaltantes parece obedecer a um padrão: fortemente armados, os suspeitos invadem a agência bancária, explodem os caixas eletrônicos e fogem sem dificuldades, levando o dinheiro e deixando a sensação de medo entre os moradores.  “E tinha policial na delegacia? Tem não. Tinha nenhum”, reclama a estudante Josefa Mendes, moradora de Machados.
De acordo com o delegado Paulo Berenguer, responsável pela força-tarefa que investiga as ações criminosas contra bancos no interior do estado, há uma espécie de “convênio criminoso”. “São pessoas que vêm de outros estados e se reúnem com gente daqui de Pernambuco. Eles conhecem as estradas e fornecem a logística, então isso resulta na atuação dessas organizações”, explica.
Enquanto os bandidos se capitalizam a cada assalto, adquirindo armas e atuando de forma mais complexa, as cidades do interior carecem cada vez mais de policiamento. Em Macaparana, por exemplo, é como se cada um dos policiais militares tivesse que ser responsável por 4.500 moradores. O número é bem inferior ao recomendado pela Organização das Nações Unidas (ONU), que sugere ideal o mínimo de um policial para cada 450 habitantes.


Fonte G1 Pernambuco

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