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sábado, 24 de setembro de 2016

Em PE, ensino médio será ajustado à modalidade integral gradativamente



Instituições de ensino médio serão avaliadas para serem adequadas à MP. Apesar de plano de reforma do ensino no estado, medida divide opiniões.


PSS visa contratação de profissionais até dezembro deste ano (Foto: Pedro Ribas/ANPr)

Apesar de ser o primeiro estado a implantar escolas de ensino médio em tempo integral no país, Pernambuco terá que se adequar às determinações da medida provisória (MP) sobre a reforma do ensino médio apresentada na última quinta-feira (22), pelo Governo Federal. Das 761 escolas estaduais que ofertam o ensino médio, cerca de 44% têm ensino integral. A mudança, no entanto, deve acontecer gradativamente, segundo a Secretaria Estadual de Educação.


“Estamos desenhando uma expansão da rede [de ensino integral] em Pernambuco de uma forma muito planejada. Esse processo foi feito ao longo dos últimos dez anos, não foi de uma vez, mas queremos continuar implantando esse tipo de ensino aqui no estado”, explica o secretário estadual de Educação, Frederico Amâncio.


De acordo com o Ministério da Educação (MEC), a previsão é de que turmas iniciadas em 2018 já usufruam das mudanças. Até lá, as redes estaduais podem fazer adaptações preliminares, uma vez que o MEC condiciona a implementação de pontos da reforma à conclusão da Base Nacional Comum Curricular (BNCC).


Segundo o titular da pasta, não há a necessidade de construir novas escolas, mas readequar a estrutura física e pedagógica das instituições de ensino já existentes no estado. “Algumas das escolas já têm uma estrutura muito boa e só precisamos ajustar alguns itens que estão dentro do projeto. Agora entra-se numa etapa mais complexa que diz respeito à BNCC, mas a legislação não vai injetar e sim flexibilizar o ensino”, pontua o secretário.


Para Amâncio, a medida representa, em linhas gerais, os objetivos dos secretários estaduais de Educação do país. “O documento representa a nossa visão e busca avançar e flexibilizar o ensino médio no país. Não só Pernambuco, mas também os outros estados estão alinhados a essa proposta”, afirmou Amâncio. “Não se trata de um ponto ou de outro, mas de linhas gerais. O modelo que existe no Brasil hoje é atrasado em relação ao que acontece no mundo, e por isso vamos construir um avanço com base nessa MP”, frisou.


Convergências e divergências

 Diretor do Instituto Ayrton Senna, o educador Mozart Neves, ex-secretário de Educação de Pernambuco, defende a medida do governo federal e acredita que a possibilidade de direcionar o ensino conforme o interesse dos alunos é um dos pontos positivos. “A reforma era necessária porque o modelo atual [do ensino médio] só existe aqui. Concordo com a definição de uma base comum para os três primeiros semestres do ensino médio e com a escolha dos alunos a partir dos seus interesses”, pontua.


“A escola, no modelo atual, não funciona. Somente nove de 100 alunos aprendem o que se espera de matemática e isso está estagnado desde 1999. Isso tudo fora a evasão escolar, que causa um impacto de R$ 3,7 milhões por ano. Consequentemente, temos um desperdício gigantesco. Uma escola em tempo integral custa 40% a mais, mas funciona. O que o governo federal fez foi ajudar os estados a conseguir esse percentual extra”, afirma o educador.


Por outro lado, o diretor de Assuntos Educacionais do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe), o professor Heleno Araújo, critica a MP. “Essa é a imposição de uma formação com uma promessa de uma ocupação técnica de imediato para um emprego que não existe”, diz. Para ele, a proposta atende a um número pequeno de matrículas do ensino médio. “Nós temos 1,7 milhão de pessoas fora da escola e o programa não garante o acesso à educação a todos. Essa é uma política que vai atender uma demanda imediata”, completa.


Ainda de acordo com docente, o índice de evasão é cada vez menor. “Em 2006, o índice de evasão escolar era em torno de 15%, hoje caiu pra 7%. O que nós defendemos é que os sistemas de ensino precisam dar autonomia financeira, administrativa e pedagógica às escolas. Para Araújo, o governo deveria garantir tudo o que prevê a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, aprovada em 1996, o que, segundo ele, não tem sido feito. "Se ela fosse aplicada, estaríamos em outro patamar", afirma.




G1 Pernambuco

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