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sábado, 18 de novembro de 2017

Quase 64% das pessoas sem emprego no país são pretos ou pardos, diz IBGE


Grupo ainda ganha, em média, apenas 56% do que recebem os brancos; para especialistas, os números refletem a discriminação racial presente na sociedade


Foto: Antônio Cunha/CB/D.A Press (Foto: Antônio Cunha/CB/D.A Press)

A desigualdade racial está entranhada no mercado de trabalho. No terceiro trimestre deste ano, 8,2 milhões de trabalhadores pretos e pardos estavam à procura de emprego. O número corresponde a 63,7% dos cerca de 13 milhões de desempregados existentes no país. O problema, no entanto, vai além. O rendimento médio real entre eles atingiu R$ 1.497, valor que corresponde a apenas 56,2% do obtido pelos brancos, R$ 2.665. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Há também forte discrepância entre os dois grupos quando se observa a variação dos ganhos. O rendimento real dos indivíduos pardos no terceiro trimestre, de R$ 1.492 mensais, caiu 0,3% em relação ao período imediatamente anterior. Já o dos brancos subiu 0,5% na mesma base de comparação. O coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, atribui essa diferenciação às ocupações exercidas entre os trabalhadores de cada grupo racial.

“A população de cor preta ou parda, em média, está inserida em agrupamentos de atividades que exigem menos formação e pagam menos”, observou Azeredo. Ele destacou, ainda, que esses trabalhadores são maioria entre os que exercem atividades por conta própria, sem subordinação ou vínculo estabelecido por contrato de trabalho. Em geral, são trabalhadores informais, que ganham menos do que os formalizados. “Um quarto da população de cor preta ou parda trabalha na rua, como ambulante. E há também diferença entre os empregadores. Apenas 33% deles têm a cor preta ou parda. É uma diferença grande”, disse.

A disparidade de salários, no entanto, não se limita a fatores como o tipo de atividade exercida. Azeredo avalia que há todo um processo que perpassa a história brasileira, o modo como o país foi colonizado e o curso desse desenvolvimento. “É sempre importante destacar essas características da população, da força de trabalho por cor, raça e sexo, para mostrar que a diferença existe, e, de alguma forma, deve ser combatida”, disse.

Adversidade

O maior nível de desemprego entre pretos e pardos sinaliza que há um claro problema de preconceito a ser enfrentado. É o que avalia o economista Carlos Alberto Ramos, especialista em mercado de trabalho e professor da Universidade de Brasília (UnB). Ele ressalta, no entanto, que essa adversidade não é necessariamente culpa dos empregadores, mas da sociedade, por questões culturais. “É algo enraizado. Um empresário pode preterir a contratação de um trabalhador negro porque tEm clientes que podem não gostar de serem atendidos por um negro, por serem racistas. Então, os empresários não contratam esses trabalhadores porque as vendas podem cair. É uma situação que acontece nos Estados Unidos, por exemplo”, afirmou.

Com o mercado de trabalho ainda desaquecido, encontrar emprego não é fácil — seja por motivos conjunturais, seja por questões de cor e raça, reclama o vendedor autônomo Ricardo Damasceno, 33 anos. Para ele, o preconceito é latente. “Sempre tem a discriminação, até para exercer atividades que não exigem muita especialização. Eu, por exemplo, trabalhava havia dois anos com serralheria. Hoje, não consigo nenhuma oportunidade”, lamentou. Para manter uma fonte de renda, Ricardo, atualmente, vende dindins na rua.

Setor de serviços cai pelo terceiro mês

O setor de serviços registrou queda de 0,3% em setembro, na comparação com agosto, a terceira retração consecutiva. O mercado apostava em uma alta de 0,3%. Conforme os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no terceiro trimestre, o segmento amargou desempenho negativo de 0,6%. “A reação dos serviços depende de ritmo mais forte da economia, de demanda maior da indústria, do comércio e dos governos regionais, que enfrentam dificuldades fiscais”, explicou o coordenador da pesquisa no IBGE, Roberto Saldanha. Os dados das categorias analisadas mostram que a diminuição de 1,8% nos serviços de informação e comunicação teve importante peso para o resultado mensal, uma vez que vem sendo afetado pela redução da demanda, principalmente da indústria, segundo Saldanha.



Fonte Diario de Pernambuco

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