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terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Com 100 mil motos nas ruas, Campina Grande é a capital das duas rodas


Rainha da Borborema tem agora um veículo deste tipo para cada 4,1 habitantes. No Brasil, a proporção é quase o dobro: uma moto para 7,86





Por necessidade ou capricho, o campinense ama as duas rodas. Tanto que a cidade do Agreste paraibano atingiu neste início de dezembro a marca histórica de uma frota de 100 mil motos. Desde a última segunda-feira (4), segundo o próprio Detran-PB, 100.027 já circulavam na região metropolitana da Rainha da Borborema. Trata-se de um recorde que coloca a cidade paraibana e os 18 municípios do seu entorno na 24ª colocação nacional neste tipo de veículo, seguindo as estatísticas da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) de 2017.

Se for levado em conta apenas Campina Grande, a proporção é agora de uma moto para cada 4,1 moradores. No Brasil, a média é quase o dobro: 7,86. Tanta moto na rua afeta o trânsito e o transporte público. O impacto da frota de duas rodas na mobilidade de Campina Grande é o tema da primeira reportagem da série “100 mil motos CG” do portal OP9.
De acordo com o levantamento da CNM, no ano passado Campina Grande já figurava em 43º lugar no ranking nacional de número de motos, incluindo capitais como São Paulo. Entre as 197 cidades do estado, só perde para a capital João Pessoa em números absolutos, mas lidera entre os municípios que têm mais motos do que veículos cadastrados no Departamento de Trânsito da Paraíba.

O que chama a atenção nos números oficiais é a quantidade de motos que circulam com algum tipo de irregularidade: mais da metade delas. São 58.243 com algum tipo de pendência no Detran. Isso envolve tanto os donos da motocicleta mais utilizada, a de 125 cilindradas (41.604 veículos), até os das possantes acima de 400 cilindradas, que podem custar mais de R$ 30 mil e atingir mais de 200 quilômetros por hora (33 veículos). Mais baratas, as cinquentinhas representam 6.348 unidades da frota de Campina Grande.

Somente em número de mototaxistas cadastrados, Campina Grande tem um exército de mil pessoas com colete amarelo transportando passageiros e encomendas. Mas há ainda os que se aventuram por conta própria. “Comprei minha moto há cerca de dez anos. Este é o meu primeiro veículo, uma Suzuki 125 cilindradas. Minha vida mudou. Ganhei rapidez na minha locomoção e gasto pouco mais do que quando andava de ônibus. Levando em consideração o conforto, foi um bom negócio. E tem mais: só consegui um emprego de carteira assinada por causa da minha motocicleta” confessa Renato Hugo, 29 anos, que é vendedor e atualmente está desempregado.
“Eu tinha dois empregos e ainda estava dando para manter um carro. Mas acabei saindo de um deles e minha solução foi comprar uma moto mesmo. Ela é mais barata em todos os fatores. É aquele negócio: tenho medo de acidente, mas ela (moto) acaba sendo mais em conta”, conta o funcionário público Henrique Epifânio, de 41 anos, um entre os 100 mil motociclistas que se espremem entre carros e deram adeus aos ônibus.
Passageiros a menos no transporte público
A quantidade de motos em Campina Grande atinge diretamente o transporte público. A Superintendência de Trânsito e Transportes (STTP) da cidade informa que o número de usuários dos ônibus vem caindo ao passar dos anos. Atualmente a Rainha da Borborema tem uma média de 25 mil passageiros diários. Entre os anos de 2013 e 2017, a “fuga” de passageiros foi de aproximadamente 7 mil.
“Existe essa queda, mas estamos tentando melhorar de várias maneiras o serviço do transporte coletivo. Temos instalados painéis com os horários dos ônibus dentro do terminal de integração, conseguimos instalar uma delegacia lá dentro, além da reforma dos pontos de ônibus da cidade”, explica o superintendente da TTPB, Felix Araújo
Se as empresas de ônibus perdem com a quantidade crescente de motos, há os que acabam lucrando com o aumento da frota. Quem trabalha com Zona Azul é um deles. “Aqui na minha área aparece muito motoqueiro. Por dia, acho que passam umas cinquenta motos. Cada uma paga R$ 2 por por cada duas horas. Tem gente que acaba pagando mais porque passa mais tempo. Dá até para tirar um dinheiro legal no fim do mês”, ressalta a trabalhadora Maria José.
Outra que não pode reclamar do aumento é Ligiane Brito, proprietária e gerente de um estacionamento rotativo localizado no coração da cidade. “Vou ser sincera com você. Por dia, temos no mínimo 30 motos aqui. Cada um paga R$ 3 por expediente. Temos um plano também, que custa R$ 50 e o cliente pode colocar o veículo dele a hora que quiser.
 Além da segurança, o nosso diferencial é que ainda guardamos o capacete”, afirma, sorridente, a proprietária.


Fonte Op9


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