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sábado, 8 de dezembro de 2018

Doze anos após separação, mulher doa rim para ex-marido: ‘Agora somos irmãos de sangue’, diz transplantado


Beth e Claus ficaram juntos por 17 anos, entre namoro e casamento. Ele se casou de novo e, há quatro anos, descobriu uma doença que causou a perda da função dos rins.

Beth doou um rim para o ex-marido Claus, em Londrina — Foto: Arquivo pessoal

Doze anos após separação, Beth Caperclaro doou um rim para o ex-marido, Claus Ziegelmaier, em Londrina, no norte do Paraná. “Como éramos esposo e esposa, agora somos irmãos de sangue”, diz o transplantado.

A cirurgia foi realizada em 30 de novembro. Claus já deixou a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e agora está no quarto, se recuperando bem. Ele é só gratidão ao falar do gesto da ex-mulher.

“No começou eu levei até um baque quando minha esposa falou, porque é um gesto de amor. Não de quem menos espera, mas nós tivemos uma vida juntos e fomos separados pelo destino, e o destino nos uniu de novo", declarou Claus.

O casal ficou junto por 17 anos, entre namoro e casamento. Os dois se separaram, sem filhos e sem rancor.

Ele se casou de novo e, há quatro anos, descobriu doença que causou a perda da função dos rins. Passava por sessões de hemodiálise três vezes por semana, quatro horas por dia. Os médicos indicaram um transplante, e a família saiu em busca de doadores.

Foi durante essa busca que Amanda Ziegelmaier, a atual mulher de Claus, encontrou Beth na rua. As duas já se conheciam e conversaram.

“Foi um dia que eu estava muito mal e conversei com ela. Ela queria saber como o Claus estava e, neste dia, ela falou que queria pelo menos tentar fazer o exame para ver se podia ajudar ele de alguma forma”, contou Amanda.

A ex-mulher fez os exames e descobriu que era compatível para fazer a doação. Ela lembrou que não pensou duas vezes antes de aceitar ser doadora e explicou as razões de ter tomado a decisão.

“Por gratidão, sabe? Dezessete anos junto com uma pessoa que nunca fez isso aqui de mal [fazendo um gesto com as mãos]. Então eu acho que eu devia isso a ele como agradecimento da pessoa que ele foi para mim no passado”, relatou.

Claus e Amanda são casados; foi a mulher que encontrou Beth e falou sobre a necessidade de transplante de rim — Foto: Arquivo pessoal


Com o transplante, Beth ganhou uma nova família e, Claus, uma nova vida.

"Agora ele virou meu irmão, filho do meu pai (risos) filho do meu pai e da minha mãe, deixou de ser genro para ser irmão agora", brincou a ex-mulher.

Para a atual esposa de Claus, é difícil expressar tanta gratidão.

"Não existem palavras para agradecer o que ela fez. Ainda não inventaram essa palavra. É uma gratidão que a gente vai levar pro resto das nossas vidas", definiu Amanda.


Transplante de rim
Segundo um levantamento da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) – divulgado em agosto deste ano, com dados de janeiro a junho de 2018 – a lista de espera por uma doação de rim é a maior no país: tinha 21.962 pacientes à época.

Ao todo, eram 32.716 pacientes cadastrados aguardando uma doação de rim, fígado, coração, pulmão, pâncreas e córnea.

No caso das mais de 21 mil pessoas que aguardavam um rim no período do levantamento, 5.493 passaram a esperar entre janeiro e junho deste ano, e 728 não sobreviveram.

No Paraná, do início deste ano até outubro, foram feitos 584 transplantes de rins. Desse total, 510 eram doadores mortos. Os outros 74 eram doadores vivos.

Médicos explicam como funcionam os transplantes entre pessoas vivas
Atualmente, a fila de espera por um rim é de 1.042 pacientes no estado.

Em nota, o Ministério da Saúde informou que, em 2017, foram realizados 27.474 transplantes no Brasil, sendo que, desse total, 5.948 foram de rins.

A estimativa para todo o ano de 2018, é de que sejam realizados 26,4 mil transplantes, 5.836 de rins, ainda conforme a nota.

O Ministério também informou que o país é referência mundial na área de transplantes e tem o maior sistema público de transplantes no mundo.

“Cerca de 96% dos procedimentos do país são financiados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Os pacientes possuem assistência integral e gratuita, incluindo exames preparatórios, cirurgia, acompanhamento e medicamentos pós-transplante”, diz a nota.

Doação
Quem pode receber um órgão? Para receber um órgão, a pessoa precisa estar inscrita em uma lista de espera monitorada pelo Sistema Nacional de Transplantes. O que determina a compatibilidade é o tipo sanguíneo, a dosagem de algumas substâncias colhidas no exame de sangue e características físicas.

Como ser doador de órgãos? O Ministério da Saúde afirma que para ser doador de órgãos em caso de morte, é preciso comunicar a família sobre esse desejo. Não é mais preciso registrar em documentos de identificação a vontade de ser ou não doador de órgãos.


Fonte G1 Pernambuco


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