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quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Conselho proíbe enfermeiros de trabalharem no bloco G do Getúlio Vargas


O bloco G do Hospital Getúlio Vargas (HGV) sofreu intervenção ética do Conselho Regional de Enfermagem de Pernambuco (Coren-PE). Em decisão unânime, tomada no início da noite desta quarta-feira (4), a entidade proibiu enfermeiros, técnicos e auxiliares de trabalharem no espaço. Cheio de rachaduras e fendas, o local vem apresentando estalos, deixando pacientes e médicos em pânico. Segundo o Coren, tanto a Secretaria Estadual de Saúde (SES) quanto a diretoria do hospital já foram notificados da medida. 

Cerca de 50 funcionários trabalhavam nos blocos G1 e G2 do Hospital Getúlio Vargas, quando foram notificados pelo conselho (Foto: Divulgação/Coren-PE)

A presidente do Coren-PE, Marcleide Correia e Sá Cavalcanti, explica que nenhum profissional irá ficar sem trabalhar, visto que a interdição ética apenas proíbe a atuação em determinado espaço. “A decisão vem para tirar os profissionais do risco iminente de vida. O problema do HGV é estrutural. As pessoas estão trabalhando em pânico, com medo que o prédio desabe”, afirma. 

O bloco G é dividido em três espaços - G1, G2 e G3. Cerca de 50 profissionais de enfermagem estavam trabalhando nos blocos G1 e G2, atendendo 34 pacientes nas UTIs. Eles foram orientados a terminar o expediente no prédio antigo do hospital, que não oferece risco. O G3 já estava sem atividades, por ordem do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura de Pernambuco (Crea-PE).
"As pessoas estão trabalhando em pânico, com medo que o prédio desabe", afirma a presidente do Coren-PE, Marcleide Correia e Sá Cavalcanti. (Foto: Bruna Costa/Esp. DP)
"As pessoas estão trabalhando em pânico, com medo que o prédio desabe", afirma a presidente do Coren-PE, Marcleide Correia e Sá Cavalcanti. (Foto: Bruna Costa/Esp. DP)

Os profissionais que chegam para a troca de equipe são orientados a não realizarem atendimentos e não entrarem no prédio. “A SES vai ter que tomar alguma providência, porque sem enfermeiro, não tem atendimento. E o prazo é imediato, funciona a partir do momento que notificamos a todos aqui”, acrescenta Marcleide. 

Quem descumprir a ordem irá responder a processo administrativo no Coren-PE. Também não há risco de retaliação a quem seguir a orientação, visto que há amparo judicial (não podem sofrer exoneração) e, sem autorização do conselho, não podem trabalhar.

Em nota ao Diario, a Secretaria Estadual de Saúde "lamentou" a interdição do Coren-PE. "Importante frisar que a decisão foi tomada sem nenhum embasamento técnico da área de engenharia e que a SES-PE tomará todas as medidas administrativas e judiciais necessárias para garantir a assistência aos pacientes", diz o órgão. Confira a nota completa no final da reportagem.

Protesto pela manhã

Na manhã desta quarta, auxiliares, técnicos de enfermagem e enfermeiros paralisaram as atividades e fizeram uma manifestação em frente ao hospital. Uma comissão foi criada e chamada para dialogar com a direção. Ficou acordado que os profissionais voltassem a trabalhar no dia de hoje e esperassem um posicionamento do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) e do Coren. 

Nota da SES
"A Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) lamenta a deliberação do Conselho Regional de Enfermagem de Pernambuco (Coren-PE) sobre a interdição ética dos serviços de enfermagem no Hospital Getúlio Vargas (HGV). Importante frisar que a decisão foi tomada sem nenhum embasamento técnico da área de engenharia e que a SES-PE tomará todas as medidas administrativas e judiciais necessárias para garantir a assistência aos pacientes.

A unidade continua atendendo a população nas mais diversas especialidades, como urologia, neurologia, neurocirurgia, cirurgia vascular e geral, ortopedia e clínica médica. Sobre a interdição, deve-se frisar que tem alcance restrito ao trabalho dos enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, não alcançando os demais profissionais das equipes médicas.

Vale destacar, ainda, que a rede estadual de saúde tem dado o suporte necessário à unidade, visando garantir a assistência aos usuários do SUS em Pernambuco. A direção do HGV ainda tem dialogado, permanentemente, com as equipes da unidade e suas lideranças sobre toda a situação.

Sobre a estrutura da unidade, além do isolamento preventivo e provisório do Bloco G3, novas análises estão sendo realizadas por diversos órgãos, entre os quais o Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura de Pernambuco (CREA-PE) para averiguar a situação e dar os devidos encaminhamentos.

A Secretaria também está trabalhando em um estudo de intervenção para resolver definitivamente os problemas de acomodação estrutural do Bloco G da unidade, cujo cronograma será apresentado nos próximos dias para as entidades profissionais.

Por fim, a Secretaria Estadual de Saúde esclarece que continua monitorando permanentemente, por meio de contrato com empresa de engenharia especializada, a estrutura do prédio do HGV e todos os laudos apresentados atestam a segurança da estrutura."

Fonte Diario de Pernambuco


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