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segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Coronavírus já matou 23 padres e bispos no Brasil


Levantamento de entidade vinculada à CNBB mostra que, de 392 contaminados no país, 21 sacerdotes morreram pela doença, que vitimou também dois bispos



A maioria das igrejas está fechada, os fiéis continuam distantes da comunhão presencial e os sinos não têm o toque festivo das grandes celebrações. Mas, mesmo assim, o clero se encontra vulnerável à COVID-19, que já matou mais de 90 mil pessoas no país. Segundo boletim divulgado pela Comissão Nacional de Presbíteros (CNP), vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), 392 padres diocesanos foram contaminados pelo novo coronavírus, com registro de 21 mortes. Os dados foram baseados em consulta nas 18 regionais da instituição que congrega os bispos brasileiros e tem como presidente o arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, dom Walmor Oliveira de Azevedo.

A maior parte dos casos (veja quadro abaixo) está na Regional Norte 2 da CNBB, nos estados do Pará e Amapá, com 58 religiosos contaminados e seis óbitos, totalizando 64 infectados. Em seguida vem a Nordeste 2, com 57 casos e três óbitos, total distribuído entre Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas. Já na Regional Leste 2, que inclui Minas Gerais e Espírito Santo, não há óbitos, mas há 19 casos positivos, dos quais sete em Minas, nas arquidioceses de BH (quatro), e Montes Claros (um), na Região Norte, e dois na diocese de Luz, no Centro-Oeste.
 
Os números crescem a cada dia, tanto que após a divulgação dos dados, foram registrados mais três casos positivos, sem óbitos, em Vitória (Leste 2), e cinco no Ceará (Nordeste 1). Nove bispos também foram infectados, e dois deles morreram: dom Henrique Soares da Costa, bispo de Palmares (PE), e dom Aldo Pagotto, bispo emérito da Paraíba. Em Minas, não houve ocorrência entre esse grupo de religiosos.

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“Acredito que tenha sido o primeiro caso na nossa arquidiocese. As igrejas estão fechadas, no nosso caso até para restauração, mas a missão continua aberta”, diz o reitor do Santuário Arquidiocesano de Adoração Perpétua – Igreja Nossa Senhora da Boa Viagem, na Região Centro- Sul de Belo Horizonte, padre Marcelo da Silva. Ele foi contaminado em abril e, felizmente, não passou pelo calvário da internação: permaneceu assintomático. “Posso ter sido contaminado numa visita aos hospitais, no atendimento aos pobres, aqui na porta da igreja, ou em outro contato pastoral”, diz o reitor, lembrando que sua congregação, a dos sacramentinos, perdeu nove padres no mundo. “Nós, padres, temos que ser corajosos. Mas a pior sensação, para quem testou positivo é de que possa contaminar alguém. E nós moramos em comunidade”, afirma.

Na diocese de Luz, no Centro-Oeste mineiro, dois padres testaram positivo. Um está internado em hospital de Divinópolis. O outro, o titular da Paróquia São José, em Santo Antônio do Monte, Gílson Ribeiro da Silva, está bem e celebrando missa normalmente. Ele conta que os primeiros sintomas começaram em 27 de junho, “com o nariz escorrendo e dor nos olhos”, seguindo-se “dor de cabeça muito pesada até chegarem os calafrios, diarreia e dor nas costas” que o levaram a procurar o médico e depois a Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Padre Gílson conta que na casa que divide com outro religioso e tem uma secretária ninguém foi contaminado.

No período em que foi infectado pelo novo coronavírus, padre Gilson, de 53 anos e sem problema de saúde, estava celebrando missas, pois um decreto municipal permitia a flexibilização, com restrições da freqüência às igrejas: com capacidade para 900 fiéis, o templo recebia apenas 100, com uso de máscaras e higienização com álcool em gel. Na sua avaliação, a contaminação ocorreu a partir do manuseio de dinheiro. “Acho que muita gente está sendo contaminada assim. Pega o dinheiro e põe na carteira”. Mas ele garante que está curado por “graça de Deus”.


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