AGORA NO BLOG...

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Preço da cerveja já aumentou na indústria, resta saber se distribuidores e vendedores vão repassar ao consumidor


 Comportamento de alta do dólar e perda de venda pelas empresas justificou o reajuste, que vai ficar entre 4% e 5%. Empresas não informaram se a alta será linear ou por categoria

A partir deste mês, os consumidores de cerveja vão encontrar a bebida mais cara no mercado. A expectativa é de que o produto seja reajustado entre 4% e 5%. As maiores cervejarias com atuação no País dizem que a alta do dólar é uma das justificativas, mas não é a única. Ao longo do ano a moeda norte-americana se valorizou 36,69% sobre o real, mas o período mais crítico aconteceu em maio, quando chegou a ser cotado a R$ 5,90. Nesta terça-feira a moeda fechou a R$ 5,36. O que também pesou para as cervejarias foi o fechamento de bares e restaurantes durante a quarentena.


Os balanços financeiros, tanto da Ambev quanto do Grupo Heineken, no segundo trimestre de 2020 demonstram queda na receita e no lucro. No Brasil, a Ambev apresentou queda de 4,4% nas vendas, diminuição de 6,7% na receita líquida, baque de 21,6% no lucro bruto e aumento de 14,3% nos custos de produção. A situação não foi diferente com a rival Heineken, com receita líquida caindo 16,4% no primeiro semestre.


As empresas afirmam que o repasse do aumento ao consumidor final vai depender dos distribuidores e vendedores, mas a pergunta que se faz é se canais de venda como bares e restaurantes, por exemplo, que passaram mais de quatro meses com as portas fechadas podem assumir ainda mais perdas.


Procurada pelo JC, o Grupo Heineken não respondeu as perguntas específicas da reportagem. A cervejaria se pronunciou por meio de nota, em que informa: “O Grupo Heineken no Brasil confirma que implementará, a partir de setembro, uma nova tabela de preços para alguns de seus produtos. A iniciativa é local e não está relacionada aos resultados globais da Companhia. O reajuste de preços está relacionado à dinâmica natural do mercado brasileiro e à necessidade de compensar o impacto da valorização do dólar, uma vez que grande parte dos insumos envolvidos na produção das cervejas, incluindo, principalmente, o malte e materiais de embalagens, é importada. A Companhia reforça que essa é uma decisão habitual de negócios e que a atualização de preços é realizada anualmente, sempre respeitando nosso compromisso de transparência com o mercado, clientes e consumidores”, diz, por meio de nota.


A Ambev e o Grupo Petrópolis também foram procurados, mas não se pronunciaram até o final da publicação da matéria.


ARTESANAIS

Entre as cervejarias artesanais, a estratégia é continuar mantendo os preços. Durante a pandemia, as empresas adotaram estratégias criativas para compensar o fechamento de bares e restaurantes. O diretor da Ekäut, Diogo Chiaradia, explica que o dólar tem um peso importante na composição dos custos, mas que a preocupação deve ser com a retomada gradual, proporcionada pela abertura dos bares e restaurantes.


“O dólar deve representar aproximadamente 30% do custo da cerveja, sobretudo por conta da matéria-prima: malte e lúpulo. Apesar de o Brasil ter produção nacional de malte, ele é uma commodity e se baseia nos preços internacionais”, observa. O empresário afirma que a reabertura dos bares tem se dado gradativamente e a intensidade depende do público. A percepção é de que os estabelecimentos com público mais jovem têm retornado com mais força.

←  Anterior Proxima  → Página inicial

0 comentários:

Postar um comentário